Tinha uns 3 anos quando entrei no Dó-Ré-Mi. Foi o primeiro Jardim de Infância que frequentei. E acho que foi o que mais gostei, porque é só dele que tenho recordações, e das boas. Se calhar foram essas boas recordações que ditaram o meu percurso. Que deram um empurrão à minha escolha profissional. Mas continuando... Aos seis frequentei a Escola Primária de Corroios. A professora era uma besta. Uma daquelas à antiga. Dava réguadas (graças a deus nunca levei nenhuma, na altura devia ser lambe botas), principalmente ao Hélio e ao Pedro. A coitada da Dora sofria com o racismo. Quem se portava mal ou falava muito nas aulas (aqui estava incluída) sentava-se ao pé da pobre pretinha. Era o castigo. Na altura não percebíamos. Nos nossos corpos e mentes ainda reinava a mais pura das ingenuidades. Só mais tarde, quando falava nesta etapa da minha vida, é que me comecei a aperceber. Pobre Dora. O 5º ano foi feito no Feijó. Tal como o 6º e o 7º. Até aqui nada a acrescentar. Aluna de 4, alguns 5. No 8º ano, altura em que me mudei para Azeitão, as notas começaram a descer. Acho que foi a rebeldia que se apoderou de mim, qual demo disfarçado! Mas passei, não fosse a maldita matemática e tinha passado com mais classe.
10º ano. Digo apenas que chumbei por faltas e ficamos por aqui, pode ser?
11º, 12º. E tucas fiquei lá outra vez. Sacana do inglês!
Umas milhentas explicações depois e pronto, tava feito. 12º acabado.
2006. Faculdade. Beja.
Não acredito em coincidências. Sou mais uma pessoa do destino. E não fosse o destino ter-me trocado as voltas algumas vezes, eu não teria ido para Beja. Ou não teria ido na altura em que foi, conhecer as pessoas que conheci.
Tive medo das matemáticas. Mas o esforço e a dedicação mandaram as putas às favas. As ciências também se armaram em espertas mas tratei delas.
2010. Finito. Acabou-se a escola. As noites de estudo e desespero. As gargalhadas na biblioteca e as discussões por tudo e por nada. Acabaram-se os melhores anos da minha vida.
Agora resta-me rezar que alguma alma me dê trabalho e boas crianças para aturar.

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